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sábado, 2 de março de 2013

Prata Preta e Revolta da Vacina 1904





Estivador e capoeirista, Horácio José da Silva mais conhecido como Prata Preta combateu as forças militares fazendo algumas  barricadas que ficou conhecida como Porto Artur, na praça da Harmonia, bairro Saúde no Rio de Janeiro . Liderou a resistência por vários dias. Aquele seria o último foco de revolta popular a ser rendido na região do centro.

No fim do conflito , Prata Preta esteve entre os presos deportados para o Acre, naquela época era chamado de fim do mundo.
Sua valentia e coragem lhe deram fama nos noticiários, na literatura e nas caricaturas de jornal da época, em que ele era retratado dando golpes de capoeira.
Prata Preta e seus companheiros do bairro da Saúde, onde moravam muitos dos negros vindos da Bahia em busca de trabalho na capital, tinham motivações específicas para se revoltar contra a vacina obrigatória, grande plano do sanitarista Oswaldo Cruz  que era secretário de Saúde da época.

Adepta do Camdomblé, a população negra recusava-se a vacinar por princípios religiosos. Esse culto na época, estava proíbido pelo governo, sob acusação de "feitiçaria". Os praticantes da religião acreditavam que determinadas divindades tinham poder sobre algumas doenças. Entre esses deuses, está Omolu ou Obaluaiê, que seria o orixá responsável pela varíola. Os poderes de Omolu não se resumiram a causar a varíola: podiam também atenuar seus efeitos. Cultos e sacrifícios rituais eram oferecidos ao orixá, pedindo proteção contra o mal.
Assim, era difícil que a vacina vinda dos médicos tivesse credibilidade entre os seguidores do Candomblé. E era preciso resistir a ela.

No ano em que a Revolta da Vacina completou 100 anos, o Prata Preta voltou a circular pelas ruas e ladeiras do bairro da Saúde, não mais de forma ameaçadora, mas esbanjando alegria através de centenas de foliões ao som das tradicionais marchinhas de carnaval .  Suas cores "vermelho, branco e azul" são em homenagem a S.D.P Filhos de Talma e a A.R.E.S Vizinha Faladeira.

"Viva o Zumbi do bairro da Saúde"

Um comentário:

  1. A estupidez do ser humano é incomensurável. O invés de ser espraiada uma campanha educativa sobre a necessidade da vacina, o que prevaleceu foi a imposição, o patético, grotesco demonstrativo de poder em vacinar as pessoas à força. E o governo utilizou à época o mesmo argumento comunista-stalinista, ou seja, deportar os "indesejáveis" para a Sibéria Tropical, o Amazonas e o Acre.

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